quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Verão Paulista

Chove. Incessantemente chove em São Paulo. O som incomoda os vizinhos. O desejo de matá-la preenche a sala. A amava. A amava há não muitas manhãs. - Depressa, chegaremos atrasados! O sol libidinoso a romper a timidez matinal. - Ah, o verão paulista! O calor diurno, as tempestades ao cair da noite. O som incomoda os vizinhos. Ruídos estranhos. Um entardecer precipitado. Coxas, braços, lábios e um olhar perplexo. As perguntas precedem a cólera. Nelson Rodrigues amava o fluminense. O maracanã lotado, uníssono. A catarse futebolística. A cólera apaixonada. Mãos espalmadas em rostos pingando vergonha e sangue. O desejo. Batia. Batia a porta. Restavam eles. Adão e Eva. Lágrimas, muitas lágrimas. Cauby cantava a plenos pulmões. Chove em São Paulo. A Catarse do verão paulista. O som preenche a sala e os ouvidos dos vizinhos, enquanto a arma apontada à cabeça envergonhada disparava incessantemente. Chove em São Paulo. O desejo. A vergonha. A timidez da manhã. A tarde libidinosa. Metais e mãos pesadas. Chove em São Paulo. Enquanto Cauby incomoda os vizinhos, o sangue é lavado para um novo dia.

Um comentário:

  1. Adorei o texto!
    Gosto da maneira q vc escreve!
    Estou de volta ao meu blog...
    BJS!

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