Cheguei a Recife com 13 anos. Cheguei carioca. A adolescência é, de fato, um período definitivo da vida. Cheguei querendo partir. Voltar. Não entendia aquela Cidade. Outras relações tempo-espaço. Outros códigos culturais, sociais. Musicais. Em Recife, fui do céu ao inferno nos primeiros anos. Forjei uma identidade adulta da mistura entre meu eu – zona-sul e os novos elementos que ia incorporando da Mauricéia. A arrogância carioca foi sendo atenuada junto com o sotaque. A geografia humana foi sendo alargada à medida em que conhecia as extensões do território pernambucano. De repente: forró, Chico Science, Carnaval. As bermudas do movimento grunge foram gradativamente deixando meu guarda-roupa. A rapaziada de Seattle começou a ser substituída por Mestre Ambrósio, Lenine, Cordel do Fogo Encantado. De Piedade fui para a Rua da Aurora. Rua da Aurora. Do Capibaribe. De um sol imenso. De um Mar a preencher todas as janelas da minha casa. Fui começando a entender melhor. A senti-la. E, já parte dela, me vi adulto. E ela, me viu partindo.
Hoje, perdido no mundo, sinto muita saudade de casa.
Che Guevara
Há 16 anos