segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Aos Condôminos Celestiais

Um dia seremos paz
Seremos calma e afeto
Viveremos a tranqüilidade bestial
dos sábios

Um dia seremos sóbrios
Tardes serenas
Domingos constantes

Mas enquanto ainda somos vermelhos
e estridentes
Façamos alarde e coisas estúpidas
E ao cair da tarde
sejamos sórdidos e barulhentos

O silêncio pertence aos mortos
e o amor aos vizinhos que agora
dormem

Imparcialidade? Não, não. Passionalidade

Dois olhos negros
Sedentos por toda e qualquer novidade que lhes atravesse o Caminho

Olhos notívagos
Ambíguos?
Às vezes de ressaca

Minha percepção
Passional
Por vezes
Míope
Daquilo que me cerca
E me abandona

Peço licença
E já me desculpo por futuras injustiças:
a beleza e os enganos
São meus olhos
Só meus dois olhos profanos