quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Recife

Cheguei a Recife com 13 anos. Cheguei carioca. A adolescência é, de fato, um período definitivo da vida. Cheguei querendo partir. Voltar. Não entendia aquela Cidade. Outras relações tempo-espaço. Outros códigos culturais, sociais. Musicais. Em Recife, fui do céu ao inferno nos primeiros anos. Forjei uma identidade adulta da mistura entre meu eu – zona-sul e os novos elementos que ia incorporando da Mauricéia. A arrogância carioca foi sendo atenuada junto com o sotaque. A geografia humana foi sendo alargada à medida em que conhecia as extensões do território pernambucano. De repente: forró, Chico Science, Carnaval. As bermudas do movimento grunge foram gradativamente deixando meu guarda-roupa. A rapaziada de Seattle começou a ser substituída por Mestre Ambrósio, Lenine, Cordel do Fogo Encantado. De Piedade fui para a Rua da Aurora. Rua da Aurora. Do Capibaribe. De um sol imenso. De um Mar a preencher todas as janelas da minha casa. Fui começando a entender melhor. A senti-la. E, já parte dela, me vi adulto. E ela, me viu partindo.

Hoje, perdido no mundo, sinto muita saudade de casa.

2 comentários:

  1. E nesse meio de caminho nos encontramos... crescemos juntos e nos tornamos o que somos hoje. A trajetório de vida nos faz ser quem somos hoje. Tenho orgulho de andar ao seu lado. Vc me emocionou...

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  2. Digo, em família, quando o assunto é sair do Recife e viver longe dele (sair do Jiquiá, mais especificamente), que, mesmo se tirarmos o pé da lama, nunca tiraremos a lama do pé. Longe que eu esteja, espero encontrar debaixo da unha do pé uma torra de lama seca, indelével, saudosa. Recife-mangue-rios, que nos dá abraços encharcados, tentáculos molhados de lama quente. Calor de colo materno.
    Lucas pisou aqui. Tá em São Paulo, mas tem lama no pé.

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