segunda-feira, 12 de abril de 2010

Alma

Ouço as águas.
Vozes a invadir o mangue.

Sinto o impregnante cheiro de casa.
Da casa de alguém muito distante.

De olhos fechados, invado os instantes
e lugares da intimidade alheia.

Cerrados como os do morto,
de cujas veias surrupio cada lembrança.

Memórias de fúria e paixão
percorrendo meu corpo dormente.

Ausente, ouço o canto das águas
a preencher as entranhas do mangue.

Vejo o Capibaribe permear a Cidade
e as vidas que por ela vagam.


Enquanto vago pela vida de alguém que não conheço,
morro de saudade de quem não mais existe.

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